O pai do "monstro"

Na edição de amanhã do Expresso, o da direita acusa o da esquerda de ser o legítimo pai do "monstro" – o défice. Em 1989, Cadilhe era ministro das finanças de Cavaco, mas diz que o pacote legislativo que aprovou o NSR (Novo Sistema Retributivo da Função Pública) foi conduzido directamente pelo primeiro-ministro. Se a legislação é da autoria de um ou do outro, não interessa nada. O que interessa é que foi a partir de então que os funcionários públicos passaram a ter um estatuto remuneratório digno. Esta é, de resto, uma das medidas que todos nós, os funcionários públicos, devemos àquele governo do PSD.
Cavaco esteve muito bem ao aumentar a Função Pública. Terá estado mal quando manteve uma série de privilégios que deixaram de fazer sentido no novo quadro remuneratório. Nomeadamente, Cavaco manteve a progressão automática e não teve a coragem para, em simultâneo com o aumento de vencimento, fazer aprovar um sistema de avaliação consequente, verdadeiro "calcanhar de Aquiles" da Administração Pública Portuguesa.
Mas, repare-se, Sócrates não anunciou nada nesta matéria. Melhor dizendo, Sócrates só falou em aumento da receita. Não tocou na contenção da despesa. Aí o regabofe vai continuar.
