Luto Nacional?

Decreta-se luto nacional aquando do passamento, ou do funeral, de alguém que prestou relevantes serviços ao país ou, eventualmente, à comunidade internacional.
Ora, tendo falecido Álvaro Cunhal, entendeu o Governo decretar um dia de luto nacional.
Porquê?
Terá Cunhal prestado algum serviço ao País?
Vou admitir que sim. Que o terá feito lutando contra o Salazarismo. Que terá desempenhado algum papel na luta pela democracia.
Uma coisa é certa: não desempenhou nenhum papel, nem sequer enquanto ideólogo, no golpe militar de 25 de Abril de 1974. Efectivamente, os militares, e isto hoje é história, só estavam preocupados com os "seus" problemas. A politização só veio depois. De resto, Cunhal estava exilado e só apareceu depois.
Mas acredito que sim. Que terá lutado, embora inconsequentemente, contra a ditadura. Acredito que sim, e que terá sido por isso que foi preso e deportado.
E devia ter ficado por aí! Se assim tivesse sido, justificava-se o luto. Mas não ficou. Continuou a lutar. Então, já não pela democracia, mas pela sovietização de Portugal. Cunhal foi o grande responsável pela destruição do nosso tecido produtivo. Cunhal destruiu Portugal! Não esteve só nessa tarefa, mas foi o maior responsável (e não este como, incorrectamente, referi). Se hoje somos a merda de país que somos, é a Cunhal que, em primeira instância, o devemos.
Todavia, vamos fazer luto! E porquê? Porque Álvaro Cunhal foi um homem "coerente", "inteligente", "tenaz", que "lutou por aquilo em que acreditava"? Ó meus senhores, a História da Humanidade está cheia de homens que cometeram terríveis atrocidades por acreditarem nos seus ideais. A História tem páginas cheias de nomes de homens que mataram outros homens (alguns, até milhões), para serem "coerentes" com os seus objectivos. O próprio Salazar, não tenho qualquer dúvida, também foi um homem "coerente, inteligente, tenaz, que lutou por aquilo em que acreditava". Foi, mas deu-lhe para a asneira.
A morte é uma coisa sempre triste. Todos temos a certeza de que morreremos, só não sabemos quando. Todavia, a morte não pode branquear aquilo que fizermos em vida!
Se houvesse lugar a luto nacional, deveria ter sido a 11 de Março de 1975!
