Abuso de poder nas escolas
A jornalista Mónica Contreras, na página 14 da edição do Expresso de 13/11/2004, dá à estampa um artigo (lamento não poder aqui pôr o conveniente link porque o Expresso introduziu “portagens” aos seus leitores e eu não conheço qualquer via alternativa) onde aborda o “abuso de poder na escola” por parte dos Presidentes dos Conselhos Executivos. De acordo com o artigo, estes presidentes são tipos que tudo fazem para manterem os seus privilégios e que, para cúmulo, não estão sujeitos à lei da limitação de mandatos, isto é, não são como o Presidente da República (há mais além deste caso?). Até aqui tudo bem. É uma opinião…
O problema é que a senhora introduz duas afirmações que são falsas:
- Os funcionários não docentes representam 40% da assembleia eleitoral. Admito que haja uma ou outra escola em que a percentagem seja essa. No entanto, na maioria, com assembleias formadas por, para além dos funcionários, todos os professores, 1 aluno por cada turma do secundário, 1 pai por cada turma do básico mais 2 por cada ano do secundário, a percentagem dos primeiros raramente irá além dos 20%!
- Os presidentes recebem uma gratificação de 60% sobre o ordenado. De facto, a gratificação dos presidentes é de 50 ou 60% (conforme o número de alunos da escola) mas é sobre o valor do índice 100 da carreira docente, a que correspondem 411,04€ e 493.25€. Na prática, existindo poucos presidentes situados em escalões indiciários abaixo do 8º, os valores em questão são substancialmente diferentes. Como exemplo, um presidente que vença pelo 10º escalão acaba por receber uma gratificação de cerca de 15% sobre o ordenado.
Que merda de jornalismo.
Meu caro Ministro Rui Gomes da Silva…
