26 de fevereiro de 2005

Tortura policial (II)

Aqui há uns dias, o filho de um rapaz meu amigo recebeu uma notificação para ir a tribunal como testemunha. Não fazendo ideia do que se tratava, procurou informar-se e acabou por saber. Era assim:
Há cerca de meio ano, o carro dele foi assaltado em Coimbra. Furtaram-lhe o auto-rádio. Acompanhado por um colega, dirigiu-se à esquadra da PSP para apresentar queixa. Aquando na esquadra, entrou um meliante, algemado, detido por dois agentes. Os rapazes não sabiam qual o motivo da detenção, mas observaram o estado de grande agitação em que se encontrava o detido, o qual vociferava contra os polícias. “Vocês estão lixados. Eu vou tramar-vos” (não era bem assim que dizia…). Então, subitamente, investiu de cabeça e repetidamente contra uma parede. Ficou todo moído e a sangrar abundantemente antes de ser completamente imobilizado pelos polícias.
Agora o filho do meu amigo, mais o outro miúdo, vão a tribunal testemunhar o sucedido porque o meliante apresentou queixa contra os polícias.

Ficção? Não! A verdade nua e crua.

Não se fique a pensar que “gosto” dos polícias. Pelo contrário. Eles multam-me pelas razões mais imbecis que se podem imaginar. Não obstante, as forças de segurança, e a sua autoridade, são um dos garantes da democracia. Só que nós ainda não exorcizámos os fantasmas e continuamos a confundir autoritarismo com autoridade democrática.