24 de abril de 2005

E já lá vão 31 anos

(republicado)

Lembro-me perfeitamente da noite de 24 para 25 de Abril há 31 anos. Passeia-a a jogar lerpa, com os meus colegas, até às quinhentas da madrugada. De manhã, quando cheguei à Faculdade, estava tudo fechado. Foi só aí que soube do golpe militar. Pairava no ar a dúvida. Não se sabia se não seria da extrema-direita. Por volta do meio-dia já não havia qualquer dúvida: era a Liberdade!
Os dias que se seguiram foram de absoluta loucura. Sentíamos uma ânsia incontrolável de viver. E com 19 anos de idade, tudo era possível.
É pá! Estou a ficar nostálgico.
Depois foi o que todos sabem: os excessos, a “caça às bruxas”, os saneamentos, as nacionalizações e a destruição do tecido produtivo, tudo em nome e em troca da Liberdade.
Hoje olho para a Espanha, que ainda viveu sob a ditadura quando nós já estávamos em Democracia, e interrogo-me:
Não sei se valeu a pena.
Não sei se, sem 25 de Abril, não teríamos hoje um país mais moderno, mais justo, mais fraterno e mais rico.
Não sei…