22 de outubro de 2004

SCUT's again

A réplica do meu amigo mocho fez-me voltar ao tema.

Faço-o para clarificar que nada tenho contra a construção de autoestradas, muito antes pelo contrário.

Aquilo a que me oponho, desde a sua génese, é à ideia imbecil que subjaz ao conceito de SCUT.

Imbecil porquê? Por duas razões:

Porque se aceitou que não fossem construídas de raiz, antes que aproveitassem troços já existentes, donde viria a resultar, em muitos casos, a inexistência de verdadeiras alternativas;

Porque se funda naquele típico porreirismo, naquele populismo lusitano, de acordo com o qual a malta não tem de pagar nada. Tudo é à borla. Se não se paga nada nas escolas, se não se paga nada nos centros de saúde, a que propósito se haveria de pagar nas autoestradas do interior?



Asneira! Por quase toda a Europa (em Portugal também) as autoestradas são portajadas. São pagas! Mas não o são pelo Orçamento do Estado. Não são pagas através de impostos. Paga quem as utiliza. Quem não quer, vai pela estrada normal.



Existe, ainda, um terceiro problema. É que, mesmo aceitando este modelo, o ritmo alucinante com que foram lançadas as obras, hipotecaria (hipoteca) o Orçamento do Estado durante muitos anos.



O que verdadeiramente me irrita é o beco em que (os governos socialistas) nos meteram. Não acautelaram alternativas rodoviárias. Mandaram os privados fazer as estradas. Deixaram a factura para os próximos.

ORA PORRA!!!



Afinal, por que razão não se adoptou o modelo utilizado na Ponte Vasco da Gama - construção por privados e concessão durante x anos? (e esses tristes que a utilizam não têm nenhuma alternativa à borla)