Cunhal e Lúcia de Fátima
Escrevi isto há pouco, num comentário a um comentário da Cat a este post. Contudo, achei relevante dar-lhe o relevo de um post autónomo.
Disse a Cat:
"Depois do vergonhoso luto nacional após a morte da irmã Lúcia, tudo vale!"
Ora bem:
Não aplaudi o luto nacional pela Irmã Lúcia. Estou, portanto, particularmente à vontade para falar sobre ele. E para dizer que é absolutamente ilegítima qualquer comparação entra uma (Lúcia), e outro (Cunhal). Lúcia não fez nada de mal a Portugal. Assumiu, discretamente, em clausura até, a sua condição de vidente sobrevivente. Não tomou qualquer medida, não escreveu livros, não fez doutrina, não fez discursos. Apenas viveu! Mas vivendo, Lúcia foi, para uma significativa maioria de portugueses (não vale a pena negá-lo), um símbolo, e mais do isso, um exemplo de Fé. Fé que não "faz" a unanimidade em Portugal, mas que é esmagadoramente maioritária. E para essa imensa maioria, Lúcia foi importante.
Decorre daqui a minha ideia de que o luto, embora não consensual, tenha sido compreensível. O "povo" gostava dela, e ela não fez mal nenhum. Lembremo-nos, só como exemplo, de Amália Rodrigues. Todos adoramos o seu fado? E houve luto? Então?
Quanto a Cunhal, não digo mais. A História nunca lhe perdoará.
